segunda-feira, 14 de março de 2011

Conclusões...

Durante o final de semana, realizei uma retrospectiva da minha trajetória acadêmica. O motivo? Encontro-me em fase de concluir o curso. O sentimento? De tranqüilidade, sem arrependimento, em paz com o movimento estudantil que tanto mutilou e sacrificou a busca sistemática pelo conhecimento científico.

Falar sobre as ciências sociais significa falar de um amor. Foi através dela que obtive uma percepção desse nosso mundo, desse nosso tempo. É um amor por tudo o que é humano, seja feio ou belo.

O que têm marcado todos esses anos de graduação foi à superação de inúmeras dificuldades, a começar pela manipulação de um número considerável de material teórico dos mais eruditos e sofisticados. A dificuldade de acessar esses materiais, seja pelo custo dos livros, a barreira do idioma ou a capacidade de interpretar muitas vezes me fizeram sentir o medo de fracassar.

Ao enfrentar essas últimas etapas da graduação faço com a paixão do menino iniciante. Faço pensando nas gerações de jovens que devido às injustas estruturas sociais, permanecem com sonhos incompletos, às vezes sem sonhos. 

Espero ser um sociólogo engajado com as mesmas causas que condicionaram minha vida até o presente. São causas que não permitem ter um sono tranqüilo, estas me fazem sofrer em silêncio. A sociologia, equilibrada com a militância política, desde cedo foi o escape para poder aliviar essa dor. 

As ciências sociais a todo instante ampliaram essa dor, porém deram uma oportunidade de contribuir com o grande processo de transformação econômica e social por qual passa meu país. 

Minha vida será recompensadora e encontrarei um pouco de paz ministrando minhas aulas, sendo uma referência ética, como muito dos intelectuais e professores que deparei em minha vida. Homens de integridade dos quais admirei cada lição.

Durante os próximos meses estarei elaborando meu pré-projeto e o projeto propriamente dito. Serão muitas reflexões, citações, inspirações e agradecimentos. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

A atualidade da luta das mulheres

"Nada na vida deve ser temido, somente compreendido. Agora é hora de compreender mais para temer menos." Marie Curie – cientista polonesa foi à primeira mulher a ser laureada com o Prêmio Nobel de Física no ano de 1903.

Por
Simone Fraga e 
Eduardo Soares de Lara


Este ano a celebração dos 101 anos do dia das Mulheres, coincidiu com as festividades do carnaval em todo Brasil. O fato não diminuiu a importância e o significado da data, que continua registrando inúmeras homenagens ao longo do mês. Seja por diversas mesas redondas, grupos de trabalhos, projeção de filmes, exposições ou a criativa presença de mulheres lutadoras no carnaval, o importante é atingir com criatividade os distintos contextos de mulheres, estudantes, trabalhadoras, aposentadas, donas de casa, etc.

A data proposta pela lutadora feminista, a alemã Clara Zetkin, em uma época marcada pela marginalização, violência e prostituição da mulher, não impediu que muito desse passado opressor e medieval, permanecesse intrínseco. 

O longo percurso para que as mulheres obtivessem direitos que permitissem sua ativa inserção na vida econômica, política, social e cultural, continua carecendo de ampliação e garantias concretas por parte do Estado brasileiro. A grande luta encontra-se na transformação das recentes políticas públicas em políticas de Estado, além de uma nova percepção acerca do debate de gênero, que continua suscitado uma intensa disputa de idéias entre os campos progressistas e conservadores da sociedade.

Infelizmente, ainda encontramos a predominância de valores machistas nas relações entre homens e mulheres, presentes em contextos amplos da sociedade ou nos espaços mais delineados.

Verificamos constantemente que os índices de violência contra as mulheres encontram-se elevados, somado ao fato da crescente relutância de juízes e delegados de polícia em aplicar a Lei Maria da Penha, emergindo uma explicita tentativa de manter viva a desigualdade entre homens e mulheres.

Muito além das violências descritas em lei, uma série de outras formas de “violências simbólicas” perpetua nos padrões de comportamento. Essas, por si só, geram os visíveis desequilíbrios, que desembocam na supervalorização do ponto de vista masculino, estrutura que consolida uma sociedade machista e sexista.

Recentes investigações do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) destacam que do ponto de vista econômico, “a pobreza no Brasil tem sexo”. Existe uma predominância das mulheres nos estratos mais pobres da sociedade brasileira, sendo que mais da metade das famílias com filhos chefiadas por mulheres (53%) são pobres, ao passo apenas 23,7% das famílias com filhos chefiadas por homens estão nessa condição. A razão da pobreza feminina encontra-se na divisão do trabalho, onde estas foram historicamente incumbidas das tarefas domiciliares, reservando ao mercado de trabalho os postos de baixa remuneração.

O rendimento médio das mulheres esta constituído na média de R$ 786, sendo este valor 67,1% do rendimento médios dos homens diagnosticado em R$1.105, mesmo as mulheres mantendo um nível de escolaridade superior a dos homens. 

É fato que os últimos 20 anos houve significativa diminuição do abismo entre os rendimentos médios entre homens e mulheres. No ano de 1992, o rendimento médio das mulheres era menos de 60% e em 2001 apresentou elevação para 65%, o que apesar da evolução é possível ainda notar, que na maioria das atividades econômicas, as mulheres ganham menos do que os homens.    

A questão essencial é que o Brasil vive um momento conjuntural instigante. Pela primeira vez uma mulher foi eleita ao principal posto de comando político. Fato que recupera a longa história de lutas pela igualdade de direitos. Também o Brasil vive um próspero desenvolvimento social e econômico, resultante dos últimos dez anos, alcançando o posto de 7ª economia do mundo. 

Esse novo Brasil não nos exime da necessidade de continuarmos mobilizados e atuando. Em um esforço de garantir junto ao novo governo os compromissos assumidos com as mulheres e o povo brasileiro.

Em especial as mulheres, que sempre estiveram presentes nas grandes batalhas populares, em todos os tempos e lugares. As que ousaram a todo instante sonhar e construir um mundo diferente, verdadeiramente justo e igualitário. O presente continua requisitando para que todas sejam protagonistas do esforço de construir um projeto de nação justo, caracterizado por amplas oportunidades para toda a população.

*Simone Fraga. Diretora Executiva do Instituto Contato. Formada em Administração, com ênfase em gestão estratégica das organizações e gestão financeira pelas Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL.
*Eduardo Soares de Lara. Diretor Executivo do Instituto Contato e graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Artigo publicado originalmente no sítio do Instituto Contato - http://www.institutocontato.org.br 


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Saudades Saramago, saudades...

Recordo o dia em que o velho ateu nos deixou. Em especial, recordo de algumas situações que antecederam o meu encontro com a notícia de sua morte.

Por volta das sete da manhã acordei e fixei meus olhos em um livro de cabeceira. O livro? “As intermitências da morte”. Folhei algumas páginas, deparei-me com algumas frases e anotações, para em seguida abandonar o mesmo em minha cama revirada pelo sono inquieto. 

Quando os noticiários da manhã traziam a triste notícia, um misto de sentimentos procedente do choque tomou conta dos meus pensamentos, mantiveram-me anestesiado por alguns minutos.

A morte! A morte, “... a morte devia ser um gesto simples de retirada, como do palco sai um actor secundário, não chegou a dizer a palavra final, não lhe pertencia, saiu apenas, deixou de ser preciso.”(Saramago em Ano da Morte de Ricardo Reis)

O dia estendeu-se, triste e vazio. Inúmeras homenagens eram dedicadas a esse ator, nada secundário, chamado José Saramago. 

O mundo não iria esquecer-te tão cedo, velho metido a sábio. Mesmo que saibas que o mundo esquece, “... o mundo esquece tudo, Acha que o esqueceram, O mundo esquece tanto que nem sequer dá pela falta do que esqueceu.”(Saramago em Ano da Morte de Ricardo Reis)

Durante meu recesso acadêmico, dediquei tempo para algumas literaturas, em especial do Alemão Goethe e do Russo-Soviético Górki. Havia nelas, uma coincidente ligação entre Saramago. O fato fez-me ir além de uma cotidiana leitura dos textos. Senti a necessidade de aprofundar minha formação literária e parti para uma pesquisa e reflexão sobre algumas das obras que há anos me intrigam, seja pela vida intensa dos seus autores, ou por características que prendem meu coração ao descrever com tamanha beleza a vida. Afinal, “... o que importa é reconhecer o belo e ousar expressá-lo – o que, de fato, é dizer muito com poucas palavras” como diria Goethe em seus Sofrimentos do Jovem Werther.

O presente texto é fruto desse desejo de mergulhar na teoria literária, fato que certamente deixará meus ex-professores (as) de literatura intrigados.

Nessa primeira tentativa escolhi dedicar atenção ao “Ano da Morte de Ricardo Reis”. Um livro que nos coloca diante de uma cadeia de leitores, como cita Regina Kawamura (2009) em sua dissertação: “Temos Ricardo Reis leitor de jornais; Fernando Pessoa e do livro de Herbert Quain; Fernando Pessoa, por sua vez, leitor de Ricardo Reis; Saramago leitor de Fernando Pessoa, de Reis, de Borges, de Camões, entre outros; e por fim, nós, leitores de Saramago, e, de certo modo, leitores de todos.” 

Após 16 anos de ausência, e da recente morte de Pessoa, Reis regressa para uma Lisboa que começa viver o clima sombrio do fascismo, do pensamento político conservador, cuja inquietadora novidade dos portugueses passa a ser a utilização de Deus como avalista político. “Será inquietadora, mas novidade não é, desde que os hebreus promoveram Deus ao generalato, chamando-lhe senhor dos exércitos, o mais têm sido meras variantes do tema, É verdade, os árabes invadiram a Europa aos gritos de Deus o quer, Os ingleses puseram Deus a guardar o rei, Os franceses juram que Deus é Frances, Mas o nosso Gil Vicente afirmou que Deus é Português...”

O livro nos aproxima desse Ricardo Reis, cuja vida e seus pensamentos tornaram-se tão real quanto seus poemas. Em Lisboa, recém chegado, necessita ocupar-se de algo. “Tenho que abrir consultório, vestir a bata, ouvir doentes, ainda que seja só para deixá-los morrer, ao menos estarão a me fazer companhia enquanto viverem, será a última boa ação de cada um deles, serem o doente médico de um médico doente...”. 

Foi convidativo e fácil atrair-me pela discrição de Lisboa no livro. Para um apreciador de fado, pude imaginar o ruído dos sapatos ao caminhar das pedras centenárias, as aves marinhas a beira do porto, o vento que carrega o cheiro do mar.

Os romances de Saramago são caracterizados por uma estética literária que me atrai. Desafia o leitor frente à convenção gramatical adotada em sua obra. Pontuação particular que nos provoca estranheza, mas que pro vezes nos lembra poesia, um ritmo de melancolia ao serem lidas em voz alta. Pessoalmente sinto-me embalado por um envolvente contador de histórias. Vou além, sinto que o velho é que me conta as histórias, que parte da forma triste e velha do seu rosto, face sem expressão, um misto de rabugento e romântico que sempre me intrigou.

É claro que esse texto não é de longe uma resenha, muito menos uma tentativa. Apenas quis compartilhar algumas palavras que rascunhei durante a leitura do livro. Soma-se algumas interpretações que procurei realizar das características literárias de Saramago.

Enquanto isso, aguardo ansioso o dia que serei agraciado pela exibição do documentário, “José e Pilar”, até lá ocupo esse vazio tentando recordar aquele que nunca conheci.






  

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Viva a luta do povo egípcio!!!



Continuo acreditando que minha geração vivencia um momento histórico sem igual. Experimentando mudanças cada vez mais profundas e aceleradas.

Um cenário global e local que nos conduz a um olhar mais apurado sobre esse amplo universo profundamente diversificado.

O primeiro mês de 2011 foi marcado por uma série de acontecimentos no mundo árabe. Marrocos, Argélia, Jordânia, Iêmen e em especial a Tunísia e o Egito foram tomados por levantes populares, que ocupam suas capitais em uma clara demonstração da insatisfação com seus respectivos governos, muitos regimes ditatoriais corruptos e violadores dos direitos humanos.

No Egito, maior nação do Oriente com 80 milhões de habitantes, o ditador Mubarak mantém uma série de prisões arbitrárias utilizadas para reprimir os manifestantes contrários ao regime, o desemprego, o aumentos dos preços e dos salários baixos.

Antes das manifestações o Egito foi usado pelas forças imperialistas como um instrumento de estabilização da região. Em especial a política externa norte-americana que sempre soube que o reinado de Mubarak era atolado de corrupção, narcotráfico e lavagem de dinheiro.

Como oportunamente recordado no artigo de Atilio Boron, no página 12, “Na tradição do socialismo marxista se diz que uma situação revolucionária se constitui quando os de cima não podem dominar como antes e os debaixo já não querem ser dominados como antes. Os de cima não podem porque a política foi derrotada nas lutas de ruas e os oficiais e soldados do exército confraternizam com os manifestantes ao invés de reprimi-los.”

Já é esse o retrato do novo Egito que nasce e as palavras de ordem popular é “varrer Mubark e o Imperialismo”

Quero aqui expressar todo meu apoio e solidariedade a esses trabalhadores, estudantes, ao povo egípcio que luta, por seus direitos laborais, justiça social, democracia e liberdade.

É uma forma de nos sentirmos unidos e inconformados com a repressão que levou a morte mais de 100 cidadãos.  






segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Desafios catarinenses

É fato que iniciamos um novo período político a partir da posse da Presidenta Dilma Rousseff. Posse repleta de simbolismos e significados e que marca a significativa ausência do líder operário Lula a frente do processo iniciado em 2003.

Os oito anos consecutivos de governo, caracterizado por ampla coalizão de forças, determinou uma construção histórica distinta. Atingimos na política uma forte tendência progressista, possibilitando romper parcialmente com o sistema de privilégios, concentração social e regional de renda.

A participação social ampliada, nas decisões do estado, tornou-se peça chave para consolidar o novo Brasil e obter amplo respaldo social até o presente momento. Fez-se presente cotidianamente uma militância, brasileiras e brasileiros anônimos que de alguma forma sentem-se participantes ativos das transformações positivas.

Dos fenômenos, até agora levantados, intriga o fato de Santa Catarina encontrar dificuldades em associar-se politicamente a essas transformações. Em partes o problema parece resultar no que afirmava o sociólogo Florestan Fernandes.

Segundo sua análise, os fatores históricos como a escravidão tardia, a herança colonial e a dependência em relação ao capital externo, fazia com que a burguesia brasileira insistisse na resistência às mudanças sociais, mais energicamente do que as classes dominantes dos países cujo desenvolvimento fosse mais avançados.

Neste caso o desafio das forças progressistas em Santa Catarina, não se trata de uma disputa apenas com a direita neoliberal e os conservadores. E sim de uma disputa decorrente da complexidade que alcançou o capitalismo brasileiro e o atual estágio do desenvolvimento da luta de classes no país. 

Em Santa Carina encontramos dificuldade de penetrar nos setores beneficiados diretamente por esse período positivo, que vão desde a população historicamente excluída, como a classe média e os setores produtivos. 

Assim o estado, volta a ser referência bizarra de uma experiência conservadora com cara de moderna. Será necessário acompanhar diariamente as ações da era “Colombo”, desconstruindo através da luta de idéias o que for pertinente, mobilizando forças políticas na tentativa de que as eleições municipais a resposta a esse modelo de administrar o estado seja colocado em cheque. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

2010 - 2011

Em minha opinião, o momento simbólico que representou a passagem entre esses dois anos, foi sem dúvidas a posse da Presidenta Dilma Rousseff.

Acompanhando a cerimônia, por meio da televisão, tive certeza que vivi intensamente um dos momentos mais importantes da história recente do Brasil.

A militância política que sustenta esse projeto, iniciado com o Presidente Lula em 2003 é constituído por inúmeras histórias, em grande parte anônimas, de brasileiras e brasileiros que de alguma forma sentem-se participantes ativos de um outro Brasil. 

O discurso de posse, proferido em cerimônia realizada no Congresso Nacional, chamou minha atenção por carregar emoção, firmeza política e coerência. Um discurso orientado por princípios democráticos e progressistas. Princípios que acredito ser a única alternativa, de acumular concretamente forças, que visem superar a história de injustiças sociais de nosso país.
  
Optei por publicar integralmente esse discurso histórico.

Uma forma registrar os compromissos firmados para os próximos quatro anos de intensas lutas, a favor do povo brasileiro e do socialismo.

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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante Compromisso Constitucional perante o Congresso Nacional
Congresso Nacional, 1º de janeiro de 2011

Senhor presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney,
Senhores chefes de Estado e de Governo que me honram com as suas presenças,
Senhor vice-presidente da República, Michel Temer,
Senhor presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia,
Senhor presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso,
Senhoras e senhores chefes das missões estrangeiras,
Senhoras e senhores ministros de Estado,
Senhoras e senhores governadores,
Senhoras e senhores senadores,
Senhoras e senhores deputados federais,
Senhoras e senhores representantes da imprensa,
Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. 

Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.

Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação. 

Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha da sua imensa energia. 

E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à Presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.

Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentas; e para que – no dia de hoje – todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.

Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo – eu reitero – é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!

Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu nos tempos recentes.

Venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, venho para consolidar a obra transformadora do Presidente Lula, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.

De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do país. 

A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o Presidente Lula deixa para todos nós.

Sob a sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da nossa história. 
Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.

Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nesses oito anos: nosso querido vice-presidente José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este grande homem!! E que parceria fizeram o Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar pelo Brasil e pelo nosso povo!!

Eu e o vice-presidente, Michel Temer, nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.

Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, liderados pelo Presidente Lula, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje. 

Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa.

Reduzimos, sobretudo, a nossa dívida social, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.

Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções.

Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda a sociedade, mudar de vida e de patamar. 

Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo – um país de classe média sólida e empreendedora. 

Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade.

Queridos brasileiros e queridas brasileiras,

Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui. 

Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.

Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.

Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços, e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo da nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.

É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.

Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da nossa pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda a nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.

O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo, o desenvolvimento e o apoio à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.

Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do Nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia, no Norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do Centro-Oeste, à força industrial do Sudeste e à pujança e ao espírito de pioneirismo do Sul. 

É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.

No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população no período do governo do Presidente Lula.

É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovadora, efetiva e integrada dos governos federal, estadual e municipal, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, o que é vontade expressa das famílias e da população brasileira.

Queridos brasileiros e brasileiras,

A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. 

Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.

Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. É este o sonho que vou perseguir! 

Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a nossa sociedade. 

Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem.

A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações. 

É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional. 

Isso significa – reitero – manter a estabilidade econômica como valor. Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.

Continuaremos fortalecendo nossas reservas externas para garantir o equilíbrio das contas externas e bloquear e impedir a vulnerabilidade externa. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos. 

Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.

Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. 

O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de Previdência Social pública. 

Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços públicos é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.

Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional. 

Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do programa Minha Casa, Minha Vida manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos Ministérios.

O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.

Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.

Esse princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso desse meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança. 

Nas últimas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém, é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.

Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas.

No ensino médio, além do aumento do investimento público vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.

Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens.

Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo. 

Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. 

O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde. 

Vou usar, sim, a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário. 

Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.

A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

A ação integrada de todos os níveis do governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.

Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com estados e municípios. 

O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo – quando necessário – a participação decisiva das Forças Armadas. 

O êxito dessa experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento dos jovens. 

Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com o uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.

Reitero meu compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as nossas famílias. 

O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.

A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.

O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo. 

O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

Queridos e queridas brasileiras e brasileiros,

Muita coisa melhorou no nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.

Recorro a um poeta da minha terra natal. Ele diz: “o que tem de ser, tem muita força, tem uma força enorme”.

Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida.

Uma nação com a marca inerente também da cultura e do estilo brasileiros – o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância. 

Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e à matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.

O mundo vive em um ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.

Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e para a inovação como instrumento fundamental de produtividade e competitividade do nosso país.

Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico ou no campo do desenvolvimento econômico pura e simplesmente. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da nossa imensa diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.

Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação de nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.

Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais modernas e sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.

Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia a dia da nossa nação.

Queridas e queridos brasileiros e brasileiras, 

Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio ambiente. 

Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada. 

O etanol e as fontes de energias hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, (incompreensível) a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas. 

Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. 

Defender o equilíbrio ambiental do Planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.

Meus queridos brasileiros e brasileiras,

Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.

O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo. 

Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia. 

Vamos dar grande atenção aos países emergentes.

O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao nosso continente.

Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.

Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.

Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Disse, ao início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo. 

Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:
dos movimentos sociais, 
dos que labutam no campo, 
dos profissionais liberais, 
dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores, 
dos intelectuais, 
dos servidores públicos, 
dos empresários, 
das mulheres,
dos negros, dos índios, dos jovens, 
de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.

Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, no semiárido nordestino e em todos os seus rincões, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas. 

Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas, no interior ou 
no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil. 

Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país. 

Respeitada a autonomia dos Poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso país, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia. 

Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião. 

Reafirmo o que disse ao longo da campanha, que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos, no nosso país e como bandeira sagrada de todos os povos.

O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são os elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.

Eu e meu vice-presidente, Michel Temer, fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais. 

Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e às parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte e do meu governo discriminação, privilégios ou compadrio. 

A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos. 

Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Chegamos ao final deste longo discurso. Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. 

Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco não tenho ressentimento ou rancor. 

Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. 

Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.

Esta, às vezes, dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra: 
“O correr da vida” – diz ele – “embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

É com essa coragem que vou governar o Brasil. 

Mas mulher não é só coragem. É carinho também. Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa. 

É com esse imenso carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele dedicar os próximos anos da minha vida.

Que Deus abençoe o Brasil! 
Que Deus abençoe a todos nós!

E que tenhamos paz no mundo!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

recomeçando...

Foi incrível a intensidade de coisas que aconteceram nos últimos meses.

Não tive condições de expressar absolutamente nada no meu espaço de pensar. Ou ao menos tentar.

Dezembro esta sendo cansativo e triste.

Quero terminar de ler “O Ano da Morte de Ricardo Reis” de Saramago. Começar a ler “O Amor nos tempos de cólera” de Gabriel García Márquez... Escrever algumas idéias antes que essas desapareçam... a lista de livros ficou gigante... a vontade de ler também.